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Sexta-feira, Abril 25, 2008
About me, myself and I.
O que há?
Pouco, fatalmente. Ou nada mais, como saber ao certo? Eu só não sei. Escrevo para ninguém, converso com palavras cruzadas, tenho medos infantis no meio da noite, sinto dores nas costas, e coragem para desistir de tudo que tenho.
Agora tomo ansiolíticos por conta própria que só fazem efeito moral. Ligo para casa aos prantos porque não sei dar um nome para os sentimentos descontrolados que passam na minha cabeça numa linda quinta-feira de sol. Me torno insuportável para os amigos enquanto interpreto o orgulhoso papel de heroína da casa.
heroína.
Milena 21:17
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Terça-feira, Abril 15, 2008
Medo do Google e do meu nome.
Medo de perguntas indiscretas ao telefone.
Mas no fundo um orgulhinho bobo pelas novas aparições.
Cadê todos?
Milena 23:05
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Sexta-feira, Abril 04, 2008
Há anos escrevia sobre um homem que desapareceu. Na verdade, seu vulto era visto pela cidade sempre perto das seis da noite, de costas, com pressa. Na verdade mesmo, ele também aparecia em sonhos. O que muitas vezes era muito mais real do que qualquer momento que tiveram juntos. De verdade, achava que mesmo o tempo não mudaria nada que sabia sobre ele. E achava que sabia tudo.
Gostava da distância segura que garantia a possibilidade de um contato restrito. Ele, pra ela, era uma história particular. Quando falava dele era mais como um personagem da sua vida do que um vivente que verdadeiramente sempre esteve por ai. Achava que sabia tudo dele, já disse isso, mas achava que ninguém mais poderia conhecê-lo como ela.
Na verdade, a história acabaria aqui, como acabou tantas vezes há tantos anos, não fosse o desajuste do tempo. Sinceramente, não sabe o que isso significa, mas acredita no impulso das palavras. Por isso erra tanto hoje e por isso também errou tanto quando não era assim com ele.
Há tempos não se preocupava com a história deles porque jurava que a versão final era a dela. Mas foi pega de surpresa quando ele deixou de ser um vulto e virou história dos outros também. Na verdade, virou vida de outra. Não apenas outra, na verdade, mas outra próxima, outra perto, outra morena, e com nome, e com telefone, com sorriso e com paixão. De verdade mesmo, por mais que ela não entendesse o que isso significava, ele continuava a atuar. Ele estava lá. Não mais para ela, a menos nos sonhos eventuais em que aparecia no meio de uma festa, no canto da sala em que o teto queria se encontrar com o chão. Lá estava ele. Confuso como a história, como a verdade, como os desejos.
Milena 11:24
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Quinta-feira, Abril 03, 2008
Em São Paulo ou em Curitiba,
não deixe para usar amanhã a roupa que você gostaria de usar hoje.
Certamente choverá.
Milena 11:12
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