Domingo, Julho 27, 2008


A você, estranho solitário, nem mais uma linha da minha criatividade. Nem mais uma lágrima. O tempo acabou, acabou o amor, acabou a solidariedade. Não há admiração, carinho, dedicação, persistência. A você, gelado andarilho, nem mais um suspiro ou um pensamento perdido no meio da tarde de domingo. Estes são os últimos. Se quiser, são seus. E nada mais.
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Quinta-feira, Julho 24, 2008


Um recadinho (direto como parece):

Eu queria que me despedir de você fosse banal assim. Assim como acordar ao teu lado foi banal tantas vezes. Almoçar com você. Comer você. Eu te amo, porra. Queria te dizer tchau como quem pede um quilo de bananas. Virar as costas e não ter a sensação de que tudo morreu ali. Que eu morri. Queria saber ficar do teu lado sem sofrer, sem amar tanto, sem te esperar, sem desejar que cada momento fosse único e intenso como só seria se fôssemos um livro sobre tragédias. Eu te amo, porra. Eu desejo saber me separar de você e continuar a desejar o mundo. Queria que viver ao teu lado doesse menos e que a tua ausência fosse uma possibilidade fácil.
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Terça-feira, Julho 22, 2008


Estava tão obstinado pela idéia de fazer as coisas melhorarem que topou aceitá-lo na relação. Essa era uma das últimas objeções que ainda restaram na sua lista e ele estava abrindo mão. Mais uma vez. Desesperadamente, ele fazia de tudo para tê-la por perto. Até suportá-lo. Isso sem ter a certeza de que ela voltaria em definitivo, que depois “dele”, ela voltaria a ser sua. Ele sonhou que ela estava presa por arames, perto de cair aos prantos. E ele entrou.
Ela era uma arma. Ela não era a indefesa. Sua alma estava toda queimada. Nada mais a pensar sobre o que aconteceu. Não dormia há dois dias e ela não voltava para casa. A cama vazia. Dores no abdômen. Ela era tão jovem, tão doce. Cada palavra dita parecia um anjo cantando. A cama vazia. Nada mais a pensar e a cabeça borbulhando. Ele poderia levá-la ao cinema, pra variar. Poderia gostar de vermelho. Andar chapado para lembrar como era no começo. Poderia matá-la. Quem sabe os dois? Ter prazer em ver o fim. Em estar lá até no último momento. E saber que tinha sido dele. Estava tão obstinado pela idéia de fazer as coisas melhorarem, que topou deixar a alma esperar. Misturou o rosa com o azul. Mas agora vem a queda.

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Domingo, Julho 20, 2008


Durante muito tempo eu queria começar de novo. Nascer de novo, como se fosse possível. Meu desejo para a fada da lâmpada seria stop, rewind and play. Hoje eu quero que passe. Está tudo fora do lugar. Como se gritasse: Ser adulto é ser errado e bobo. É injusto, é mesquinho e todos os bons adultos são egoístas demais. Egoístas para amar. Para separar sem fazer sofrer. Eu quero que tudo passe mais rápido. Porque eu não sou boa em ser adulta, em enfrentar com frieza, em pensar só do jeito prático. Se for para passar em câmera lenta, que seja com música e chocolate, com rosas e vinho. Se existir ainda. Porque hoje está tudo bagunçado. Um quarto velho com pratos sujos de comida e garrafas vazias de cerveja.
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Quarta-feira, Julho 16, 2008


Do tipo Cara Valente


Eu só queria acreditar que vai ser como antes. Ou melhor. Que todos os projetos que eles fizeram juntos vão mesmo sair do papel, da cabeça, do coração. Que coração? Parece tudo tão distante e impossível hoje. Parece tudo uma piada do destino. Que destino? É tudo simples e banal, sem nenhuma explicação, sem nenhuma ordem superior que comande os sentimentos e ações. Até porque se houvesse, seria tão má e tão inexplicável que desejaríamos matá-la. Exatamente como eles querem se destruir agora, acabar com tudo o que tinham até hoje, até semana passada. De repente aparece uma reticência. Uma dúvida. Uma ruga no meio da testa. Que tantas outras vezes já apareceram e que agora ecoou. E enquanto um deles está lá, parado, segurando o seu lado da corda, o outro solta os dedos e corre contra o vento. Eu só queria acreditar que vai ser como foi antes. Você sabe? Como tudo deveria estar. Que a espera de dez, quinta ou dezessete dias – ou meses, por que não? – valeria algo. Nem que fosse uma explicação, um bom motivo. Se vale a pena, amor? Eu ainda achava que sim. Achava sempre que sim. Mas é só ela que segura a corda agora. Ele não é de nada, escolheu o mal-me-quer. Vai ter que pagar com o coração.

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Terça-feira, Julho 15, 2008


Qual é o seu segredo?


Eu gosto de dormir com os olhos inchados depois de chorar.




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Quarta-feira, Julho 09, 2008


Sabe o que você é?, ela perguntou com todo o resto de coragem que sobrou depois de cinco anos de espera, depois de muito ensaiar aquele momento. Um puta cretino. Cretino cego. Cretino burro. As palavras saíram de modo inesperado, cheias de raiva e rancor, de ódio até, ela se deu conta. Se deu conta que por muito tempo esperou que tudo mudasse, que tudo fosse como deveria ser. A única coisa que tinha ganhado foram seis quilos de ansiedade e um coração de pedra. Um idiota egoísta, insensível, burro. Muito burro. Solitário confesso. De repente, meio que como se fosse iluminada, ela se deu conta que desperdiçou suas melhores energias, sua criatividade, dedicação e, principalmente, seus melhores sentimentos com uma porta sem trinco. E no fundo, é como se ela sempre soubesse que estava nisso sozinha. E mesmo propondo um futuro brilhante, sabia que era sem ele que deveria continuar. Disse todas as palavras com ódio, dele e de si mesma, e se foi. Não ouviu um fica, e resistiu à curiosidade de olhar pra trás.
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Sexta-feira, Julho 04, 2008


Conheço os lugares novos feliz. Gosto da nova sensação. De repente, parece que tudo é possível. Bem Xuxa mesmo. Conheço as pessoas novas. E penso no que você vai sentir quando estiver lá comigo. Como se isso fosse mesmo necessário. Óbvio, importante. Acho que você vai gostar também, vai dançar também, também vai se divertir. Mas você nunca está lá, quem se já esteve, me pergunto. Nesse momento, alegria pelo novo, pelos novos. E tentando encaixar você. Ainda.
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"a vida é, assim, feita a golpes de pequenas solidões" - roland barthes

Velhos Latidos

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