Terça-feira, Agosto 26, 2008


Adeus, você. Mais uma despedida imaginária, mais uma previsão de domingos solitários, a maior distância, o sonho impalpável. Eu quero voltar, eu quero ficar. Não há alegria longe. A Sibéria. O exagero. Tchau, com amor, com saudades, com esperanças. De novo, mesmo que eu não possa, mesmo que eu não deva. "Pra que minha vida siga adiante".
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Terça-feira, Agosto 19, 2008


Às vezes eu só queria poder falar de outras coisas, assim, alegres e brilhantes. E sem querer, acabo em silêncio por dias. Eu, a cabo.

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Quinta-feira, Agosto 07, 2008


Você sabe, a coisa? É, a coisa! Ela está atacando novamente. Está a solta, cuidado. O quê? É tarde, já te pegou? Ah, eu lamento muito… queria estar aí para te dar um abraço e fazer você acreditar que vai passar. Não se preocupe. Eu vou pegá-la pra você. E vou acabar com ela, porque não é certo você ter que passar por isso de novo. Eu sei. Eu também não queria, mas agora que ela está solta, se eu não for rápida, será comigo também. Eu sei, eu sei, não é bom… Eu lamento, lamento que esteja sofrendo de novo. Eu estaria ai se não estivesse lutando por mim também. Pode deixar. Eu me cuido. Eu me cuido. Tá. Um beijo. Tá, tá, um beijo. Tchau.

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Sexta-feira, Agosto 01, 2008


Um pedaço de mim. Um pedaço arrancado de mim. Mas que impossível! O que faz uma pessoa em sã consciência resolver ser cirurgiã dentista e passar todo seu dia arrancando sisos presos? Sim, porque eles sempre estão presos. Sempre são difíceis, sempre são de morrer. Eu sei que foram eles - em uma reunião de sindicato - que inventaram a necessidade de arrancar os sisos. Caso contrário, o que fariam da vida? Seriam arrancadores de molares. E isso não tem graça nenhuma. Não tem retorno dos pacientes com inflamações, infecções e reclamações. Qual seria o prazer sádico em retirar dentes facilmente arrancáveis? Nenhum. Eu já estaria comendo como uma humana civilizada, eu poderia conversar sem parecer que uso aparelho móvel (outra necessidade inventada por esta classe sacana), não teria nenhuma semelhança com o lendário Kiko. É impossível! A quantidade exagerada de drogas legais que estou ingerindo por dia vão destruir minha alegria artificial do final de semana, e nem posso conseguir um emagrecimento fácil, pois se deixo de comer as papinhas engordativas de neném, prejudicaria meu estômago, já tão gasto pelo tempo. Se pudesse esbravejar, esbravejaria, se pudesse me debater, assim o faria. Mas não consigo tirar os olhos do pedaço arrancado de mim. Do tamanho de uma moeda de 50 centavos. Tudo aquilo, dentro de mim. Ah, doce alegria quando eu reclamava pelo seu crescimento. Agora sinto que esse buraco nunca mais irá se fechar, minha boca nunca mais vai morder uma maçã e eu estarei condenada a parecer a pobre garota bonita que saiu deformada da mesa de cirurgia.
Aiai, hoje eu me sinto especialmente trágica!

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"a vida é, assim, feita a golpes de pequenas solidões" - roland barthes

Velhos Latidos

.:coisas:.

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